Abròs

artistas 

1994

Camaragibe, Pernambuco

 

Interdisciplinaridade e diversidade são as tônicas da obra de Abròs. Como multiartista, conduz investigações poéticas repletas de sobreposições de linguagem, onde a pintura, a performance, a arte urbana, a arte-educação e diversas outras práticas ocupam o mesmo espaço. Através de um processo permeável e aberto à assimilação de seu tempo, Abròs explora em profundidade o potencial da arte como veículo irrestrito de comunicação.

Visualidades da negritude, linguagens visuais indígenas e símbolos religiosos permeiam o imaginário do artista, que expressa sua identidade dissidente por meio de um conjunto de trabalhos caleidoscópicos e intrincados. Valendo-se de sua obra como um espelho de seu universo interior, Abròs levanta questões relativas às dicotomias do tempo presente. O binômio palavra-imagem, a fotografia, a tatuagem e o vídeo se fazem presentes em sua produção, que permite também influências das artes cênicas e da dança contemporânea. A expressão física de Abròs parte do entendimento do corpo como sede: ele mesmo, em seu ato de comunicação, não é meramente um veículo e realiza, efetivamente, a conjunção meio-mensagem.

 

Ritualizações de processos compositivos e referências à ancestralidade habitam as composições do artista, que carrega em seus processos os aspectos manuais das tradições do desenho, grafitti, lambe-lambe e colagem. O caráter autodidata de Abròs confere à seu trabalho uma característica de processo de aprendizagem contínuo e aberto, numa prática onde o compartilhamento de experiências e vivências expressivas parece se apresentar como o maior valor.

Abròs edifica seu trabalho artístico transdisciplinar através da prédica do compartilhamento. Suas imagens revelam o interesse pela fé e pela ressignificação das tradições, elaboradas e rearticuladas na expressão do desejo de uma conexão mais genuína consigo mesmo e com o mundo ao seu redor.