A Mão Reflexiva
gesto e pensamento nas práticas contemporâneas

exposições

Curadoria e texto crítico: Mariana Coggiola

Embora singulares em termos do emprego da técnica e discurso, é possível estabelecermos correlações na maneira como os artistas aqui presentes associam seu fazer artístico com a ampla noção de trabalho. Do ponto de vista do procedimento, os oito artistas que compõe a mostra se utilizam de técnicas e metodologias que por vezes tangenciam os universos do design, das artes aplicadas e artes gráficas, da comunicação e até mesmo dos procedimentos industriais, empregando materiais e métodos próprios do universo da construção civil e da tecnologia. Essa interdisciplinaridade, que neste conjunto compreende também a retomada de práticas manuais e religiosas, pode revelar e afirmar uma intenção de retomada de diálogo com ideia de função - esta, tão rechaçada por seus antecessores de vanguarda e ao mesmo tempo amplamente recuperada pela pluralidade da produção contemporânea. A necessidade de recuperação da unidade entre os binômios arte/trabalho, homo faber/homo sapiens, utilidade/contemplação, arte popular (artesanato)/arte erudita (belas artes) é também a necessidade de criação de interseções mais compreensivas no amplo campo do conhecimento e da expressão humana. Ao salientarem o caráter reflexivo do corpo e das mãos, os artistas aqui reunidos, cada um à sua maneira e com diversos pontos em comum, estreitam a distância de estatuto entre estas conceituações bipartidas. A superação dessas dicotomias ganha fôlego quando uma produção artística interdisciplinar dessa natureza encontra abrigo em um espaço como o da Nós Galeria, jovem ambiente de trocas e de valorização da diversidade. Este encontro age no sentido da conservação dos saberes humanos numa unidade superior, talvez a unidade da arte em si, que pode encontrar finalmente paz em sua renovada função de síntese superadora.